domingo, 9 de outubro de 2011

Caso não valha (mais) a pena

    Pega o martelo e soca. Soca com força, com vontade. Esmigalha, espedaça. Faz virar pó. Virou pó?
Assopra. Assopra tudo. Põe para fora todo o ar de dentro, esvazia todo pulmão na causa de jogar para longe o pó. Espalhe-o para todos os lados, disperse-o ao infinito. Assopre para todos os lados para que não exista em lugar nenhum.
Limpe toda sujeira. Deixe a casa como quem espera visitas. Prepare-se para receber visitas.
Proteja-se da tentação, da recaída. Quem procura acha então, elimine os vestígios. Apague as pistas para não mais encontrar. Seja honesto, apague mesmo. O mínimo detalhe é motivo para que tudo venha a tona. Meadas são feitas de fios, basta seguir um fiapo para chegar ao novelo.
Certas coisas são tão fortes e significativas que a mínima gota tem a potência de contaminar todo pote. Nada novo é capaz de emerjir em plenitude. Nada novo nos toma em plenitude.
  
Se há algo que de fato queiras eliminar, primeiro tenhas coragem de romper com os laços que te unem a ela. Destrua-os, aniquile-os ao máximo. é preciso ser radical. Mesmo assim, ainda havendo sobras, esqueça-as. Deixe-as no fundo, a acumular poeira. 

4 comentários:

Pedro disse...

tudo vira pó carreado pelo vento

Lívia Ferreira disse...

a gente é que, as vezes, não percebe ou percebe mas insiste na tentativa inútil de não deixá-lo voar!

Carolina disse...

Dificil é sair do lugar seguro e encarar o desconhecido!

Daiane Guedes disse...

Perfeito.