domingo, 27 de dezembro de 2009

Projeto Piloto


A primeira, vamos ver... foi um rascunho, pintei nas costas de uma camisa velha, mas gostei demais.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Crise dos vinte anos

Não posso negar que fazer vinte anos foi algo impactante na minha vida, e estou escrevendo um pouco tarde sobre isso, já estou perto dos vinte e um e já me acostumei com toda a tensão. Mas, os meses que antecederam março do ano passado, me fizeram pensar bastante sobre minha vida, minha vida a partir dos vinte.
Primeiro, que quando a gente era criança e se imaginava com vinte anos (Meu Deus!), se imaginava um super adulto, super independente, trabalhando e quase casando, muito dona de si mesmo, linda e decidida, enfim, aquelas balelas que tem igual valor a fantasia do príncipe encantado (que ainda vou escrever sobre). E derrepente, a idade simplesmente chega. Quando você está com dezoito, tranquilo, ainda tem muita coisa ainda, você ainda é extremamente novinha, enfim. Aí você se aproxima dos vinte e seu gosto por homens dá uma volta de 360 graus, e você começa achar barrigudos charmosos e chega a colocar loiros e morenos no mesmo nível de beleza e derrepente acontece: você fica com um cara 10 anos mais velho que você, ou seja, você beijou um homem de 30 anos! Jesus! Eu disse que você beijou um HOMEM de TRINTA ANOS! É um choque. Não posso negar, o primeiro homem de cabelos brancos nunca se esquece. E quando isso acontece...
Quando você sai com suas amigas nos lugares que costumava ir e parece que a pirralhada dominou o mundo é o sinal. Quando você começa a dar mole pros tios de terno, é o sinal. Quando os amigos do seu pai começam a encontrar você na noitada, é o sinal. Quando sua mãe começa a ficar realmente admirada com a beleza dos seus namorados é o sinal. E ainda pior, quando a sua avó é super amiga da mãe do cara, o sinal já queimou de tanto que piscou. É... você está ficando velha, daqui a pouco você que está desfarçando os fios brancos com luzes. Sua mãe começou a ter os primeiros fios brancos aos 24. 24? Então só há mais uns poucos anos de virgindade capilar. SO-COR-RO!
É, dá vontade de gritar. Acho até que estou entrando na crise dos vinte outra vez. Mas, a questão é que os vinte anos não te fazem apenas perceber a pele mais enrugada. Tem muito mais coisa aí debaixo. Pensando dentro de uma cronologia mais banal, é dos vinte aos 30 que sua vida tem que se estruturar (eu disse e repito: dentro do pensamento do senso comum, o socialmente aceitável e considerado "normal"). Dos vinte aos trinta, a sociedade e seus pais esperam que você: se forme numa faculdade ou tenha uma profissão que te permita o auto-sustento; saia da casa dos seus pais e levante a bandeira da independência; arrume uma pessoa legal e se case (alguém mas teve calafrios na presença dessa última palavra? heim? heim? heim?calma que o pior está por vir) e tenha filhos (alguém desmaiado?). E isso principalmente para a mulher, a mulher é muito mais cobrada, sofre muito mais com a pressão social. Uma mulher com mais de trinta, solteira e sem filhos, corre o risco de ser assim pra sempre, é o que dizem nossas tias gentis. Então, uma menina de vinte anos tem que ser uma mulher de vinte anos, que se não tem pretendente, começa a fazer as contas do tempo útil que ainda lhe resta para que consiga arranjar um. Nem tanta pressa, porque seria dificil mantê-lo por quatro ou cinco anos, o mais provável é que ele escape, e você também não quer casar aos 22, por favor! É preciso calcular milimetricamente o tempo, os anos, para que no momento certo (nem muito cedo, nem tarde demais) você esteja com seu emprego, com seu noivo, planejando a cor dos cabelos dos filhos.
Tá, agora realmente estou sentindo a pressão nos ombros voltar. É verdade que os tempos estão mudando, amém. Mesmo antes, haviam aquelas lindas mulheres de vanguarda, vestidas de calça jeans, com livros nas mãos ao invés de colher de pau. Só que hoje em dia você tem que se virar com a colher de pau, a mamadeira, os livros, e mais o salto alto, o cabelo tem que estar arrumado, os prazos tem que ser respeitados...
Ainda não vivo todos esses imperativos, mais muitos deles já vivo sim. Mas, eu gosto de burlar a parte do cabelo sempre arrumado e principalmente do salto alto. Apesar de serem imperativos mais fortes hoje do que foram aos 19. Cada anos que passa parece que você está se vendendo mais e vivendo menos. E não se costuma perceber isso, você vive realmente no automático. Só quando você fica sem andar direito porque aparece uma hérnia na sua barriga ou duas ínguas na sua virilha, uma de cada lado, ou quando seu resfriado finalmente vira uma pneumonia, que você começa achar seriamente que está na hora de parar. E também, por mais que aquela mulher de vanguarda seja fálica, você também quer uma vidinha mais ou menos, uma casa, formar família e de preferência antes dos trinta, sim!
Claro que não dá para se entregar a neurose, e ficar correndo atrás de homem desesperadamente só pra casar antes dos trinta ou se formar em qualquer curso só para ter uma graduação, enfim.
Ahhh... talvez seja tudo igual na infância, balela (né? né? Diz que sim!). Antes, poderia falar assim, agora que estou dentro dos vinte a trinta, o cerco vem estreitando, confesso. Como estarei, ao ver meus prazos estourando?
Risível gente, muito risível esse texto. Eu, mulherzinha neurótica? (que bom, melhor que psicótica!). Tá, dor de cabeça, então... hora de parar (ou fugir?).

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Morte do eu-lírico

Há muito tempo esse nome me incomoda, então resolvi mudar. E talvez mude novamente. E mais uma vez. Enfim (reticências)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Dos trens

Eu, cercada por quatro lâminas de metal, não tinha escapatória. Do chão brotava o vapor que fritava dezenas de pés. Quando andei até o último vagão a procura de um acento, não imaginava todo o calor que me esperava dentro daquele caixote de aço. Sentei-me. Pensei em tirar os óculos escuros para enxugar um pouco o suor do meu rosto. Depois pensei numa estratégia de livrar meu colo da minha mochila preta de lona e da minha bolsa de material sintético ardendo na fervura da temperatura; e (ardendo) sobre minhas coxas. Olhei para as grades acima da minha cabeça (mais metal). Sugestivas, feitas exatamente para isso: pôr bolsas. Depois pensei que talvez não fossem caber, que a altura seria insuficiente, minha mochila estava estourando de cheia. Preferi deixar minhas pernas assando embaixo das minhas tralhas. Não havia espaço para mais ninguém nos acentos, já tinha gente em pé, acomodada como podia. Ninguém estava confortável, era visível. É o momento que você começa a se incomodar pela demora na partida do trem. Não sei quantos graus marcavam no Rio, mas vim a saber que no dia seguinte, a sensação térmica no centro foi de 46 graus centígrados. Surreal. E, o detalhe do horário: 12:30, horário de verão. Só chegaria em casa lá pelas 15:30, no mínimo, sendo otimista. Na verdade, acabei chegando as 16:00, não por culpa do trem. São dois trens até paracambi e as vezes acontece dos horários não baterem e ter de ficar em Japeri esperando o próximo trem. Quando isso acontece, provavelmente, o horário do ônibus para Barra do Piraí, também vai desencontrar com a hora que se vai conseguir chegar em Paracambi. Resta ter paciência e esperar. Alías, essas baldiações muito tem me ensinado a ser paciente e a tolerar viagens longas. Mas dessa vez deu tudo certo, calculei bem os horários dos trens e logo que aportei em Paracambi, subi no ônibus rumo as minhas mini férias descabidas. A culpa, da minha meia hora extra de treinamento de resistência foi do maldito ônibus de Paracambi. Maldito, nem tanto hoje em dia, porque realmente estou faixa preta em tolerância, mas já passei momentos tensos dentro desse ônibus.
Comparado com o ônibus de Paracambi, a viagem de trem é uma maravilha. Exceto no calor absurdo que estava fazendo. O trem vai mais rápido, o ambiente é mais divertido, a viagem é bem menos maçante. Sem falar que fome você não passa e ainda pode escolher o que vai comer, porque ambulante vendendo troço, não falta, e os preços são ótimos. E a fome sempre chega no ônibus, aí você pensa "poxa devia ter comprado um amendoinzinho... agora já foi, é tarde". E aí você tem mais uma variável para aprender a lidar: a fome! Dessa vez, não tive fome em nenhum momento da viagem, minhas bananas e maçãs deram conta. Mas, realmente de Paracambi a Barra, a viagem é sem fim. O ônibus passa por Paulo de Frontin, Mendes, e as paradas são intermináveis. Pouca gente fica do início ao fim da viagem dividindo o ônibus comigo. A cada parada você vai vendo o estoque de pessoas ser renovado e na parada das duas rodoviárias, geralmente só fico eu lá dentro, esperando a nova safra. Outro agravante é a péssima estrada. Nem tudo é asfaltado. Vamos todos quicando, dançando aos solavancos. Sem falar quando o ônibus vai abarrotado. Nesse dia, se isso tivesse acontecido, acho que não teria me saído tão bem no desafio. Bem ou mal, o trem tem bem mais espaço. As pessoas se movimentam, entram e saem ambulantes o tempo todo e vendem tudo e são berros e mais berros anunciando de tudo, e vão de um vagão ao outro (quando o trem permite, quando os vagões não são isolados), e é uma variedade de gente, de cores, de idade, de trajes, de cheiros, falas, sotaques. Nunca se espera encontrar uma mesma situação numa próxima viagem.
No trem reina o campo do inesperado. E, por mais que a viagem do ônibus não seja nunca a mesma, de certa forma, sempre parece ser. É muito mais constante. Dela sim se espera uma constância, uma mesmice: todos sentados; curvas e mais curvas; paradas e mais paradas; paralepípedos a perder de vista; muito barulho a ponto de em certos trechos, não conseguir ouvir o mp3; e muito mato visto da janela. Que mais pode se esperar? Na maioria das vezes só tragédia ou algum barraco. Talvez umas variáveis mais brandas: super lotação/pouca gente, lugar para sentar/ir em pé, motorista assascino/motorista lerdo, enfim. No entanto, as variáveis parecem ser muito menores do que na viagem de trem. Não digo que de certo são, digo que de certo parecem ser, de certo se espera que sejam. No mais, um pentelho fica ouvindo som alto no celular ou a fome atinge níveis de extremos.
Apesar de acentos duros e da coluna não ter posição sossegada, apesar da sujeira e mal estado dos trens, de todo o barulho e confusão que fazem os passageiros, pedintes, vendedores, pregadores, da agonia que dá ver o vagão do lado pulando em cima dos trilhos de uma forma que se espera que ele descarrilhe a qualquer momento (nos tres em que os vagões não são isolados), apesar de todos os pesares, no final das contas, a viagem de trem passa muito mais rápido, é muito mais suportável e rica. Algo que tem uma certa graça em fazer, algo que merece ser contado para os netos, entende? Ninguém vai querer contar que andava de ônibus de Paracambi a Barra do Piraí, coisa mais chata.
Só naquela quarta-feira, a viagem de ônibus foi mais suportável do que a de trem. Tinha a esperança de que quando o trem entrasse em movimento, o calor fosse atenuado pelo vento das janelas. Ledo engado. O vento veio, mas quente, bufando, denso. Parecia vir do atrito dos trilhos, quase uma fumaça. O dia baforava na nossa cara. E o ar mormo se misturava com a catinga humana exalada por todos aqueles suvacos suados que não tiveram outra alternativa dentro daquela sauna coletiva, a seco, pública. Fiquei imaginando a tempteratura dos trilhos. Acho que meus pés sabiam mais. Beber água não era hipótese viável, porque banheiro era piada e seriam três horas e meia no mínimo segurando xixi. Melhor aguentar a boca seca, do que a bexiga cheia. Força, aguenta. Praticamente um exercícios de meditação. Isso sim é saber abstrair, elevar o pensamento. Não aquilo que essa gente metida faz por ai. Isolado num canto da casa, do lado de uma fonte, ouvindo musicas de flauta num cd, é moleza. Pobre medita de outra forma, se não medita, medita. Não tem jeito, não dá para pedir para sair, não tem como pedir arrego.
O bom de ser nem tão pé-rapado, nem tão nariz em pé, é poder conhecer um pouco de ser os dois. É poder escolher, na maioria das vezes. Foi minha opção pagar só R$13,50 para ir para casa (tudo para sabotar a Normandy). Os prós e contras foram pesados, medidos, analisados e eu já imaginava os contratempos e sabia mais ou menos o que me esperava (porque saber mesmo, nunca se sabe) quando tomei minha decisão. E mesmo assim, a tomei. E, no final das contas, como diz minha mãe copiando o poeta: "tudo vale a pena se a alma não é pequena".

sábado, 7 de novembro de 2009

É verdade, claro. E, é tão óbvio que fica difícil perceber. A maior liberdade que podemos sentir é exatamente em casa; seja quem, o que ou aonde for. A paz de estar em casa é o que nos deixa mais próximo da utópica sensação de liberdade pura.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ele a conquistou assim: exatamente por ser simples. Nunca fez por onde impressioná-la, sempre agiu naturalmente, como se cada gentileza fosse realmente verdadeira, sem pretensões. Ela achava incrível, como tudo tinha contecido, como no meio de tanta gente, ele a tinha escolhido. Ela não tinha nada demais. Era bonita, mas beleza se acha em tantos lugares e em tantas coisas; no entanto, ele foi logo se interessar por aquela que ela tinha. Poderia ser acaso. Poderia ser sorte. Dá no mesmo, são só pontos de vista diferentes para a mesma coisa. Isso não importava, o que importava mesmo era aquela tarde num dia improvável que os dois passaram juntos. É, porque incrivelmente ele ligou para ela depois do dia em que se conheceram. E trocaram mensagens pelo celular por três semanas, até que ele conseguisse voltar para vê-la novamente. E ele veio. E veio de longe e foi até a casa dela buscá-la como se fosse o mais natural do mundo fazer isso. E digo natural, não porque ele fizesse isso com todas, mas porque ele a tinha escolhido, oras. Era tudo tão óbivo e fácil que era assustador. Não era como se já se conhecem, era como se fosse para se conhecerem.
Ele não falava muito e ela acabava inibida pelo silêncio dele e se limitava. Só que isso não a incomodava, e esse era o estranho. Mesmo sem saber muito dele e mesmo que ele não soubesse muito dela, o encontro dos dois era incrivelmente agradável. Não era estafante, nem ofegante. Era na medida certa, no ponto exato para que fizesse com que os dois quisessem mais, mas sem pressa. Tudo corria com calma, devagar. Ele não a apressava, deixava que tudo fluisse. Estava perto o suficiente para se fazer presente e longe o bastante para que ela quisesse saber mais. E, talvez o que ela mais quisesse era que ele assim ficasse por um bom tempo: incógnita.

domingo, 11 de outubro de 2009

É claro que eu iria até sua casa só para ouvir escondida atrás do muro você cantar Bob Marley enquanto lava roupa. E nos momentos que você deixasse o cd cantar sozinho, eu iria sentir sua falta e ia pedir em silêncio que você voltasse a me dar o prazer de sua voz. O barulho da água da torneira caindo na bacia, junto com aquele outro barulho que faz o movimento das suas mãos esfregando a roupa talvez já baste para que eu não me sinta tão sozinho, mas só o timbre brando da sua voz é capaz de me dar o conforto para continuar na luta de viver longe de ti: saber que você existe. Em algum lugar, não importa, se longe ou se perto, mas você existe. Continua vivendo em alguma parte de mim, do mundo. A certeza de que você está presente é tudo que preciso: saber que tenho para onde correr, meu querido abrigo. Que eu posso correr para os seus braços quando sentir muito medo ou dor. Durmo em paz, sabendo que amor eu tenho e que não mais preciso de nada, além da fantasia minha por ti. Afinal, quem canta enquanto lava a roupa sou eu e não você, mas é que nessa confusão entre nós, nos misturamos tanto que não saberia mais dizer quem sou eu e quem é você. Como se, agachada atrás do muro para te ouvir, ouvisse minha própria voz soltando notas em melodia harmoniosa. E como poderia ser diferente, se te levo para todos os lugares comigo, e se quando vai leva também uma parte minha, do que somos. Peço desculpas por te confundir com um alma tão impura como a minha, e se nessa brincadeira acabei te turvando um pouco e te fazendo se sentir tão obscuro, tão desonesto, sinceramente não era minha intençao. Mas, é que não sei te tomar assim como substância pura. E aquele a quem dedico meus sentimentos, não é mais do que uma experiência minha, criações dos meus sentidos, do meu próprio corpo, do meu próprio ser: coisas assim tão enganosas, tão imparciais, tendenciosas. Não és mais do que aquilo que invento, não és mais do que eu quero que sejas, amor.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A julgar pelo tempo, parecia junho. Chovia rasoavelmente como se fosse início de inverno. Nem tanto quanto março, mas nem tão fino quanto julho. Só que era outubro. Do outro lado da rua a vitrine com biquines e sombrinha de praia denunciava a primavera. "Eita tempo doido" pensava Joana enquanto abria a porta do prédio com certa dificuldade, equilibrando a sombrinha enorme e mais uma bolsa de compras, só com uma das mãos. Mesmo do lado de fora se ouvia o pagode irradiando do apartamento do vizinho do primeiro andar e ao fundo uma voz acompanhava a letra em alto e bom tom. Joana achava aquilo agradável, dava uma falsa imagem de familiaridade. E entrou no prédio cantando também. Entrou, fechou a sombrinha, trancou a porta e subiu até seu apartamento 201. Ao entrar deixou a chave do lado de dentro da porta, largou a bolsa na mesa da cozinha, tirou o tênis e o levou junto com a sombrinha para a varanda. "Oi choquito!". Choquito era o peixe que ficava no centro da mesa da cozinha e também era a única compania de Joana no apartamento. A varanda era pequena bem como o apartamento, tinha uma lata de livo, um varal posicionado acima dela e um tanque. Largou o tênis e a sombrinha no tanque. "Vê só se eu não levo a sombrinha grande, ia chegar toda ensopada aqui". Joana ia tirando a roupa pela cozinha enquanto ia falando com o peixe. "Quando eu era criança, as estações eram todas certinhas Choquito, mas você nem sonhava em nascer nessa época..." e desabotoava o casaco cinza de veludo. "Agora tá tudo assim... tudo assim...tudo mudado...". Catou as peças de roupa e se aproximou do aquário, fazendo bico e falando igual criança:"E você ficou bem, ficou?". Ficou um tempo olhando o aquário. Suspirou. O vizinho se esguelava de cantar. Foi para o quarto. Sentou na cama só de meia e calcinha, com as roupas nas mãos. Muda, desolada. "Como as coisas mudam" repetia em pensamento. Como as coisas mudam. Quando nova o tempo era mais decidido e Joana também. Do alto dos seus vinte e sete anos, se sentia bem predida. Não era mais forte como antes, com aquele pulso firme de quem sabe o que quer, de quem quer. Se via confusa, com propósitos embaralhados: um certo tumulto que as coisas começam a ter num certo período da vida. Joana já tinha passado da fase de querer mudar o mundo e vencer a qualquer custo. Já não malhava para concorrer com a Juliana Paes, já não cordenava sua equipe na empresa de telefonia como se fosse Roberto Justos, já não esperava encontrar um Gianechini em cada sexta-feira a noite. A vida era mais lenta, as vontades eram mais humildes, as decisões menos escandalosas. "É... o tempo, vai passando, a idade vai chegando... a gente amolece...", falou em tom desperançoso. Essa não era a vida que Joana imaginava ter naquela idade. Com vinte e sete anos, já queria estar com um casal de filho ou pelo menos com um e grávida do outro. Filhos de Mateus, obviamente, seu noivo a sete anos. Joana se sentia como um pudim a cozinhar eternamente em banho maria, no fogo brando. Quando começou a namorar Mateus, Joana sabia que era com ele que formaria família, sonhos, vida. Aquele papo fofo de ficar juntos e morrer velhinhos numa casa com quintal e com os filhos e netos criados. Agora, Joana achava isso balela, mas não se via em condições de pôr fim a sete anos de tantas e tantas ilusões agradáveis. Ele parecia um fogão de seis bocas no começo de namoro; agora, ela não o via mais do que como um fogão de lenha. Mas, isso valia para ela também. Aos vinte se achava brilhante, cheia de vida, de fôlego. Hoje, estava toda murcha e fazendo suas refeições com um peixe beta vermelho que era sempre trocado por um mesmo modelo quanto o anterior morria. Fazia isso a uns três anos ou mais. Outro suspiro. "Como as coisas mudam...". Um estalo, talvez a frase merecesse uma pontuação diferente : "Como as coisas mudam? Como as coisas podem mudar tanto assim gente!? Como a gente um belo dia acorda e se vê vestindo roupas cafonas e usando uma vidinha tão demodê, tão medícre? O quê que acontece que faz a gente se tornar assim tão opaca, tão fatigada?". Aqui o pensamento teve que ser cortado pelo berro do vizinho, incorporando o refrão. "É isso". A chuva apertava. Joana foi mudando a expressão: os olhos pausados e os lábios se invertendo num discreto sorriso que não mostra os dentes, só eleva as bochechas. Largou a roupa que ainda segurava em cima da cama, foi até a cozinha pegou o mini aquário do peixinho vermelho com as duas mãos e o encarou com um olhar cheio de certeza e mantendo o mesmo sorriso do quarto. Tomou agora o aquário só com uma das mãos e com a outra abriu a porta. Saiu assim, só de meia, calcinha e Choquito, e esqueceu até de trancar a porta. Com o aquário firme entre as duas mãos, desceu as escadas até o vizinho cantor. Parou em frente ao se apartamento por uns instantes olhando a porta através do aquário de aguás cintilantes posto em frente ao rosto. Via de forma contorcia o número 103. A música era tão alta que não adiantaria nem tocar a campainha. Abaixou e colocou o aquário em cima do tapetinho verde da entrada do apartamento. Sorriu maliciosamente e subiu confortada as escadas de volta para o seu apartamento. Os olhos brilhavam. Pronto, estava feito. Alguém precisava ser feliz.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Era noite. Ela na varanda, escovava os dentes no tanque porque o banheiro estava ocupado. Do vizinho vinha cheiro de pimentão: cachorro-quente. No entanto o apetite era outro. Não sabia se alimentava a vontade de ligar para Bento. Bento... (pausa dramática). E de novo: Bento. Utimamente, sempre Bento. Nunca tiveram nada de concreto, Maria e Bento, mas ela pensava nele antes mesmo do nada entre eles ter acontecido. Desde muito menina quando o via passar. Coisa que era rara inclusive, mas suficiente. Assim como foram suficientes três encontros espassados num tempo de uma semana do primeiro para o segundo e quatro meses do segundo para o terceiro, para que ela se visse completamente desnorteada. E já fazia mais de dois meses desde da última noite. Ele sempre pareceu brincar com ela. Esconde-esconde. Poderia ser pique-pega. Ela preferiria. Mas, o fato era que Maria sentia muita falta dele. Falta de ter conseguido viver tudo aquilo que sua imaginação produzia para os dois. Ela tinha amor, amor por esse Bento. Tinha também o outro Bento, um substituto alcançável para o primeiro. Tinham ridiculamente o mesmo nome. Era como uma dessas peças que a vida gosta de pregar na gente. Puro acaso. Tinha encontrado esse Bento substituto hoje, e pensava em toda essa piada enquanto a espuma da pasta de dentes era cuspida no ralo. Ia embora lentamente cano abaixo com água da torneira que caia com força, quebrando o silêncio do apartamento. Não mais barulhenta que o movimento das idéias na sua cabeça e, não mais forte do que a angústia em seu peito. Essa situação não podia continuar assim, aquilo iria matar Maria. Matá-la em silêncio, no seu silêncio. Corroe-la sem que ninguém notasse e quando percebessem seria tarde, estaria morta. Dura e seca. E veria disperdiçado todo aquele sentimento tão nobre. E isso, pensava ela, não podia acontecer, era injusto demais. A voz precisava sair. Precisava sair aquela noite. A angústia subia pela garganta, envolvia os pulmões, bloqueava o ar. A coluna doía, os olhos pesavam. Maria sentia o corpo todo incomodado. Maria precisava agir. Expelir o movimento, expelir aquele pigarro. Era isso, pensava: "preciso escarrar Bento". Desobstruir a passagem para o ar, a passagem para que outros pensamentos me atinjam, renovar a vida antiga, renovar a vida gasta. Era preciso fazer alguma coisa. E fez. bateu a escova de dentes da beira do tanque, para livrar dela o escesso de água. Guardou a pasta de dentes e a escova. Foi dormir.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Terapia de casal

- Querida desculpe, mas não posso ser outro alé, desse que sinto que sou.
- Ok, meu bem, mas não consigo te ver além desse que experimento. És para mim toda a verdade dos meus sentidos.
- Que fazemos, então?
- Não se preocupe. Enquanto te construo, me remonte também. Assim, em nossas fantasias reais, seremos felizes... mas só enquanto a soubermos reais. Enquanto nos soubermos infinitas possibilidades.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Questão de objeto

Se a expectativa, por um lado, faz fechar os olhos para o que está sendo experimentado; por outro, sem ela, de que adianta experimentar?

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"A fé tem que ser cega para Deus ser fiel."

"Qual a diferença do átomo para o milagre? Nenhuma, do ponto de vista da experiência, nenhuma..."

A. E.

domingo, 30 de agosto de 2009

Há quem ache belo, o negro

E se eu te perguntasse o que fazer com os dias tristes? O que fazer com aquele vazio que infelizmente, ninguém liga se há ou não em mim, em nós? Os dias alegres é tranquilo. Todo mundo sabe o que fazer com os dias alegres. Tristeza é pejorativo. Os dias tristes, são carregados de sinônimos ruins, coisas que devem ser evitadas, combatidas, eliminadas. E por que? Preencheria mais o infinito da mente, a alegria do que a tristeza? Não, certamente não. Que seria do dia sem a noite? A claridade ofusca. Ser unilateral é perder o eclipse. Porém, não fomos criados para sermos preenchidos com a tristeza. Só a alegria é aceita como vindoura e mensageira de boas novas.
É uma pena, que as pessoas não saibam o quão linda e magnifíca, é a tristeza. Basta apenas, saber tirar proveito dela.
Ser feliz na tristeza, pois a graça é a inconstância.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

De tudo, o que importa mesmo, é o etcétera.
O que atrapalha não é o barulho de fora. É o barulho de dentro.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Não tenho paciência pra televisão

E então, foi quando eu questionei a intensidade. Tudo me veio a cabeça hoje por lembrar de uns comentários que eu vi num programa de televisão, durante as férias. Na hora fiquei meio atordoada (talvez atordoada seja extremamente exagerado), como quando se depara com alguma coisa pela qual você sabe que deveria perder uns minutos para sobre ela. Sabe, quando soa estranho, mas você não faz muito esforço para pensar na hora. Hoje, pensando livremente sobre mil coisas, fui acometida pelas vozes femininas do programa: "não, porque essa história desse amor todo de começo, de início, aí dá essa vontade de ver todo dia, de dormir junto todo dia, ficar ligando toda hora, quer ficar 24 horas colado... aí pronto, é o fim. Estraga tudo. Logo, logo, enjoa e um não aguenta mais ver o outro..." Isso obviamente foi dito com outras palavras que eu não lembro mais nem uma linha, mas o sentido foi esse. Credo! Tive um estalo na cozinha hoje. Então, o que fazer? Se deixar levar pelo sentimento, viver tudo que você está implorando para viver, extrapolar, ter dias dos mais apaixonados e arriscar perder tudo? Dias tão ofegantes que podem sufocar. Pode ser. Mais o que vale mais a pena? Viver tudo em um mês ou em um ano? Haveria diferença qualitativa nisso? Homeopatia ou antibiótico? E se for pra acabar, melhor que acabe logo, ou que dure mais um pouco? Beber muito rápido pode fazer engasgar. Bebendo devagar, nunca se fica bêbado, nunca se experimenta um porre. E porres devem mesmo ser experimentados, mesmo sabendo que no dia seguinte poderá vir a ressaca. Ah, talvez seja só questão de mudar de canal.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Mais clichês

Eu poderia te explicar a paixão assim: sabe aquele corisco que dá no céu anunciando uma tempestade? Aquele raio que corre no céu quando vai chover? Então... é chuva forte no meio da tarde, em tempo quente. Paixão esquenta o corpo, faz acordar. Já o amor é chuva fina. Sabe, chuvinha insistente, teimosa que perdura o dia inteiro, num dia mais cinzento, que dá vontade de ficar quietinho, embolado. Paixão é que nem tequila, amor é como vinho (tinto e seco) e champagne é igual wisk, pura solidão.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Disponha

Você diz que foi como com um sonho. Eu diria que foi como voltar pra casa. Como chegar em casa depois de uma longa viagem, cansativa e desgastante. Como rever fotos antigas, como estar com velhos amigos, como chorar sorrindo de saudade. Como lembrar que se é feliz.
Como o conforto de estar no seu canto, de estar aonde ama, de estar aonde se pode esquecer de tudo, esquecer que há todo-o-tudo-mais lá fora. Simplesmente, e apenas descançar, depois de tantas e tantas voltas turbulentas.
Estar aonde se tem paz, a calmaria depois da tempestade. Como ouvir o barulho da chuva branda e sentir o cheiro da terra molhada. Como cochilar embaixo do sol sereno no inverno. Como sentir cheiro da broa da sua avó saindo do forno. Como pôr-do-sol na praia no começo das férias.
Seus braços são paz, seu corpo é meu lugar. Minha morada eterna é esse peito apaixonado. E sabe que tens aqui em meu colo, o abrigo mais seguro para as horas mais incertas, passe o tempo que for, venha o que vier...
E ah, quanto ao quarto bagunçado, não precisa me agradecer. Eu sei que você o adora assim tanto quanto eu... disponha.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pela luz (azul) dos olhos teus

Lembrei-me ainda hoje o primeiro dia em que reparei que você punha os olhos em mim como quem quer algo para si. Esses olhos... confesso que não sou de reparar em olhos. Não costumam me dispertar tanto. Geralmente, me causa mais o olhar, mas seus olhos são um algo à parte. Talvez seja inocência minha, mas me parecem ser os olhos mais bonitos da face da Terra. Parecem capazes de enxergar tudo o que há em mim. Desnudam minha alma. Fico sem ter como fugir da penetrabilidade deles, da força que tem esse seu azul. No entanto, não me cristalizam, não me fazem parar e perder a orientação, ficar sem saber agir, não me inibem. Ao contrário, me fazem querer. Brinco com eles. Tiro proveito do gosto que eles têm por mim. Abuso da curiosidade insistente deles. Ninguém me olha como você. Não sei o que minha presença causa a esses seus olhos, a essa sua pessoa intrigante, mas já causando como causa... já está bom.

sábado, 30 de maio de 2009

Ontem não podia deixar de ser comentado

Toni Garrido que me desculpe, que "todo mundo sempre espera alguma coisa de um sabádo à noite" eu não descordo, mas não podemos menosprezar as sextas-feiras. Uma sexta-feira pode te desnortear, acredite. Seja por causa de um filme, de um toco... enfim, há muita filosofia na sexta-feira (e coisas que nem o sábado vai conseguir mudar).

Cada um com seu veneno

"Pra quê fumar se eu como trakinas?" R.V.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sorte que celulite e estria não é coisa de dar em buchecha senão, estaria perdida!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

E o pulso ainda pulsa

Eu gosto de mostrar a carne, ver os nervos, sentir o cheio dos músculos; a superfície não me interessa. O sangue que pulsa está dentro. A circulação que aviva percorre as artérias, as veias, não pêlos, não as unhas; esses já estão mortos. São só adereços.
E caso me pergunte: "e dentro o que há?" Logo te respondo: "Não há nada". Não há essência, não há personalidade. Há estados, há passagem. Há é corpo, há a vida. Há marcas, há vestígios, pistas de quem fui, de que sou, de onde vivi, das pessoas com quem estive... daí, se você quizer chamar isso de essência, tudo bem... que importam os nomes, de que falam os nomes senão de mais produção de marcas? Para mim, no entanto (realmente não pude deixar de concordar) de perto, ninguém é nada.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Suspiro

Eu faria tudo para saber o que estava por trás daqueles olhos marcados. Tudo para saber o que aquelas olheiras pretendiam obscurecer. De relance, podia se pensar que eram reflexos da blusa escura. Chegeui a me preocupar com a (possibilidade concreta para mim) de você estar trabalhando de mais. Preocupei-me com sua insônia.
Faria qualquer coisa para saber que se passou na sua cabeça nos dois segundos em que você me fitou antes de me dar um "oi" com as mãos e desenhá-lo na sua boca, com seus lábios.
Não foi susto te ver. Desde do último dia que nos vimos, que espero por esse momento. Mais que isso. Parece que cada noite minha fora de casa nessa cidade é marcada pela certeza de que posso te encontrar. Assim foi durante esses meses, e ontem, não podia ter sido diferente. Sai de casa me achando bonita e enquanto esperava, você passou pelos meus pensamentos e eu, como em todos os outros dias, imaginei que aquele seria o dia de nosso reencontro. E foi. Ontem foi.
Não fiquei anciosa ao te ver, não fiquei nervosa, não fiquei chocada; afinal te esperava mesmo. Não deu para me ocupar muito de você, não deu para meus olhos passearem muito por você. Eu não poderia ter permitido mais do que tivemos. Confesso que foi suficiente, que foi como o esperado, que foi imensamente bom te ver. Melhor foi te ver mais ou menos como eu o deixei, ver que não reatou namoro, ver que ainda ocupa noites vazias com gente vazia e lugares igualmente vazios. Confesso ainda esperança de um dia ser eu o espaço que irá preencher tudo isso.
Do lado de cá, fico como me mantenho desde do dia em que nos conhecemos efetivamente. Aguardo um sinal sem pressa, numa espera lenta e pouco dolorida de quem sabe que não há nada de concreto entre nós, nem de longe.
Sei que foi para casa pensativo, tanto quanto eu e, só de ter visto isso nas marcações das suas expressões, fico feliz. é uma honra pertubar seus pensamentos. Não sei que pensamentos foram e daria tudo para saber. Tudo para saber que passou na sua cabecinha quando estávamos dividindo o mesmo bar na outra noite.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Segunda

Das coisas que eu conheci, só quero as que me leve para casa.

Abdicar do que enclausura, abdicar do que me torna. O preferível é o não ser sempre eterno de espírito curioso.

sábado, 11 de abril de 2009

Rosa cravo

Sou uma com traços de um, com respingos de homem miscíveis nas borbolhas da sopa quente da minha feminilidade. Café amargo com leite desnatado. Maxista demais para dirigir e aceitar que as mulheres são realmente boas nisso. Umas ou outras é claro, que acabam fugindo à regra, mas pegar num volante é coisa de quem tem noção de espaço e pouca imaginação suficiente para não bater em nada e se manter em movimento constante. Não teria problemas em não pintar os olhos com maquiagem, não depilar os suvacos e beijar mulheres. Admirar coxas bem torneadas de tamanhos, cores e diâmetros diferentes. Em arrepiar com decotes, apreciar maciez e hostilidade de cabelos, cheiros, intensões discretas de quem sempre quer (na verdade) mais que você. Não teria problemas em ter pênis. Mas, lisa que sou entre as pernas, não consigo deixar de gostar muito de homens. Deixo as mulheres para quem as queira. Infelizmente, não é minha praia.
Vejo em mim um homem frustrado, que seria interesantíssimo, bonitão, de pernas grossas, olhos verdes e cabelo castanho. Tudo bem, não seria muito alto, mas também, não seria nanico. Enfim, as vezes me irrita ter mãos pequenas e pouca força nos braços. Não sou lá uma donzela fresca que tem medo de lagartixa. Também não ando de suspensório (mas até que é estiloso sim!). Sou prática demais para uma mulher, decidida demais para um homem. Sou queijo e goiabada e gosto de assim ser. O que não quer dizer que sou meio os dois, ou que esteja em cima do muro. Não estou discutinho preferência sexual. No corpo de mulher, desejo pelo que é oposto. Na alma de mulher, respingos da alma do oposto. Cara de boneca, traços finos, unhas grandes e também mais pelos pelo corpo que muitos menininhos e homenzinhos que existem por aí. Poderia dizer que se tivesse ficado mais uns cinco minutos dentro da barriga da minha mãe, tinha mudado de opinião e nascido do lado que acha que manda. Entretanto, preferi ser meio-a-meio. E muito fiel a cada meio correspondente. Nada de saltos para ir para a faculdade, nem de dormir sem tirar a maquiagem. Mas que quase talhou o leite, isso, ninguém pode negar.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A música que chega

Impressionante. Você baixa um monte de músicas no computador. Umas você baixa porque te indicam, por curiosidade, enfim... você até ouve uma vez e elas acabam ficando lá, largadas. Aí, um belo dia, você, sei-lá-porque, resolve escutá-las novamente. Aí ouve mais uma vez. Acaba que você se pega cantando a diaba e cheio de vontade de ouvi-la. Pronto, já era, a música bateu, a letra acomodou. Dificíl será tirá-la da cabeça! tente!
Perdoem as asneiras! Estou sem tempo até pra ordenar ideias e pensar algo mais...

terça-feira, 31 de março de 2009

Homem-estufa

Por que há tanta dificuldade em libertar o amor? Por que insistimos em sufocar exatamente o que o torna tão belo: sua liberdade? O que acontece que nos faz querer o prender, querer ter posse, ter domínio, querer o ter dentro das mãos. Não é preciso isso para sentí-lo entre os dedos. Por que não amar a todos, amar a muitos e a qualquer um. Ao invés disso, nos corroemos de ciúmes, sofremos com traições, remoemos desavenças.
Ninguém é de ninguém, pelos menos não deveria ser. O amor é para ser distribuído, multiplicado. Que nos faz guardá-lo, individualizá-lo para um só?
Devíamos é nos doar mais de corpo, alma e de tudo o mais. Porque assim é o amor: é corpo, é alma e tudo o mais.
Abrir os relacionamentos, ter múltiplos relacionamentos, uma família de um milhão. Ah, devíamos todos estar abertos para receber e distribuir amor quando for possível tê-lo. Nos permitir conhecer melhor aos outros e se deixar conhecer. Penetrar naquele, invadir seus costumes, adentrar pensamentos, beber das suas ilusões, dos seus sonhos dos seus ideais e criações.
Sair por aí desfilando intenções de amor, intenções de amar. Sempre disposto, sempre afim.
Que belo seria o mundo despido das amarras, do peso das convenções, da força da moral cooptada.
Entender que o outro é tão interessante e tão imprescindível quanto você, e por isso tem direito a estar junto de quem você também ama.
Como é dificil escapar do egoísmo, se deixar levar pelo que vai contra. Que coisa é essa que vai contra?
Saibamos, que nunca dará certo. Não do jeito que é, não do jeito que está. Isso de agora, não é amor... e sem amor nada sobevive por muito tempo.

domingo, 1 de março de 2009

Testamento

Preocupa-me o fato de não ter um lugar onde jogar minhas cinzas, que seja tão importante para mim que as mereça. Falo em merecimento como se fossem realmente algo importante, valioso. Algo é valioso se tem para quem assim ser, e se fosse pensar assim, talvez se torne indiferente o lugar onde irão parar meus vestígios orgânicos. Menos romântico do que Brokeback Mountain, talvez acabem num regular cemitério. Normal, banal, corriqueiro.... Afinal que herança mais tosca: cinzas mortais... E quanta inveja a minha!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Sim, é pelo filme de ontem

THE BLOWER´S DAUGHTER
Damien Rice

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Oooooooooohh
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Mais vale odiar o descoberto do que amar o que não se conhece. É fácil amar o que se sabe pouco, mas que tipo de amor é esse? Mais seria fé do que amor.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Fique junto dos teus

Não tenho dado motivo. Não, não tenho. Não pode se queixar. Talvez as cólicas estejam me impedimdo de pensar. Talvez tenha cansado de fazer cara de quem sabe, cara de quem quer. Quando a gente relaxa, duas coisas acontecem: ninguém aparece e alguém aparece. É que alguém apareceu quando eu ainda fazia cara de fome e não de saciada. Tudo bem, o silêncio fala por nós. A questão é que agora tranquei a porta, quem veio vai ficando, quem ficou do lado de fora que espere até eu me sufocar e ter que abrir pro ar renovar as veias, as artérias do coração. Do seu jogo eu já conheço, não é só comigo que você é mosca de padaria. Toda essa vontade é quase inacreditável. Acho que é passageira. Eu que não me arrisco. Quem gosta de ouvir piadinhas lê comédias. E seriam tantos os aborrecimentos. Teria que estar muito certa, muito pronta pra bater de frente, aguentar fofoquinhas e narizes tortos de quem perdeu. Estouo vendo você passar diante do meu sussego. Te vejo como quem tá no papel ilustre de chave de cadeia. Não que seja por uma vontade plena, mas também não são coisas simplesmente te ocorrem. A situação é essa e você, só calibra a realidade. Eu? Eu... antes anciosa dentro da prisão do que infeliz na liberdade. Não gosto de sinismo, assumo. Quando to no alto, aproveito. Quando quero descer, desço. Ficar em cima do muro dói as costas. E cá entre nós, você não está pronto pra perder. Não está pronto pra abandonar as glórias. Convenhamos, quem tanto faz por debaixo dos panos, acaba ficando bem pros dois lados. Quero ver ganhar confete de quem te conhece as entranhas.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Reciclável amor

Ingenuidade é pensar que estamos destinados a um único amor na vida. Ingenuidade maior é achar que um amor acaba. Sempre é possível amar novamente. Apaixonar-se faz parte da nossa criatividade. Um amor não é excessão, é raridade. Não vamos confundir. Não se sai por ai amando a torto e a direito (infelizmente), mas também não se pode achar que só há um para cada vida. Seria mais que injusto, seria assustador, deprimente, desumano. Condenar cada pessoa a amar indefinidamente uma única criatura e só. Pobre do amado também. O amor não seria nada além de um fardo. Seria como matar o amor, matar o que lhe faz ser o que é: sua espontaneidade. Agora, realmente acho que amores são para vida toda, mas não na forma de um destino ou um fim irremediável. Há diversas formas de amar e um amor também não anula o outro. O amor muda, pode mudar de forma, de direção, sem se apagar, sem se extinguir para sempre de dentro da gente. Talvez apenas decante no fundo do nosso pensamento. Basta agitar para usá-lo denovo. E basta deixalo quieto para que outro venha a tona.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O problema é que eu sei demais sobre você. A realidade é muito dura. O amor precisa de um pouco de fantasia para sobreviver.