sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Enquanto houver luz

Mas uma coisa é certa: os que passaram por mim ficaram (e até mesmo estão) muito mais do que os que por ti andaram. Porque minha sensibilidade é porta aberta para quem quizer alguma compania para uma conversa, para uma música, para um beijo, ou apenas para umas boas risadas a dois, a muitos. E que permaneçam em mim, todos, até o fim de minha vida. Pois meus olhos agora são luz, meu colo agora conforta, meu peito explode de tanto pulsar, do meu corpo irradia vontade e um querer acima de qualquer suspeita. Meu amor extravasa, meu amor por pessoas, meu amor por gente, minha sede de histórias, minha sede por noites intermináveis. Queria que as noites fossem eternas, que o fulgor nunca me adandonasse. Que a vida não passasse de um sonho intenso, cheio de alucinações cotidianas.
Você insiste em se trancar, insiste em se esconder, em caminhar com as maõs soltas, vazias. Insite em desatar laços, em não fazer de nada permanente. Em matar todas as ilusões do pensamento infinito. Nunca os quer sentir de perto, nunca os quer penetrar a alma. Não os quer além do simples encontro. No entanto eu fui mais longe. Consegui escorregar entre as frestras e pude ver o mais lindo amor resistindo por debaixo de tantos esconderijos. Pena que ele não consiga sair de lá.
Você disfarça, desconversa. Eu escancaro. Quem vê me culpa, eu que sinto sei das coisas. Descubro por debaixo dos panos uma fidelidade de sentimento e dezenas de traições de carne. Não escondo meus amores, não cubro meus pecados. Você desconversa. Faz tudo nas entre linhas. Eu leio até as notas de rodapé. Sei muito mais que imaginas, sei muito menos do que imagino, sei que há muito para ainda me surpreender. Que importa? No fim, só eu sei o caminho obscuro que leva para dentro daquilo que te acende, que te disperta, nem que seja por um tempo tão corrido.

Chico Buarque tem cheiro de infância

Só eu sei dos dias em que minha mãe ainda usava pregadeiras no cabelo formando um rabo de burro curto com os cabelos pretos. A época em que as janelas estavam abertas para o sol, época da cadeira de balanço na varanda, época em que meu avô era vivo e passava os dias e as tardes no quintal com os passarinhos, e as noites lendo. Minha vó era tão ativa e não aparentava de nenhum jeito a idade que tinha. Saudades do tempo em que ainda se ouvia música naquela casa, saudades do vinil, dos LPs... saudade da época em que eu era mais mal humorada e ranzinza e magrela. Saudade da minha franjinha. Saudades do Chico...

Experiência e pobreza

"Ao cansaço, segue-se o sonho, e não é raro que o sonho compense a tristeza e o desânimo do dia, realizando a existência inteiramente simples e absolutamente grandiosa que não pode ser realizada durante o dia por falta de forças. A existência do camundongo Mickey é um desses sonhos do homem contemporâneo... e aos olhos das pessoas, fatigadas com as complicações infinitas da vida diária e que vêem o objetivo da vida apenas como o mais remoto ponto de fuga numa interminável perspectiva de meios, surge uma existência que se basta a si mesma, em cada episódio, do modo mais simples e mais cômodo..."



Walter Benjamin - Magia e técnica, arte e política - ensaios sobre literatura e história da cultura

Experiência

"A experiência é carente de sentido e espírito apenas para aquele já desprovido de espírito. Talvez a experiência possa ser dolorosa para a pessoa que aspira por ela, mas dificilmente a levará ao desespero."


Walter Benjamin - Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação

terça-feira, 18 de novembro de 2008

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

É como diz o ditado...

...quem vive de eternamente ontem, é filisteu!!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

"Alguém pode estar muito mais presente em sua ausência do que em sua presença."

Aulas de Vidal (nem tudo está perdido!) - teorias psicanalíticas

terça-feira, 4 de novembro de 2008

E o que vai ficar na fotografia...

Cara, que merda são as fotos! Você começa a ver uma, aí vê outra, ai vai puxando outra, e vai desenterrando fotos e acaba sempre morrendo de saudade até mesmo da blusa que você estava naquele dia, ou do enfeite que ficava na copa da sua casa e que você não faz menor idéia do fim que teve. Eu sempre choro, é uma droga... tanta coisa que a gente deixa para trás, tanta coisa que nunca mais será vivida novamente, tantas pessoas, e pior, tantas coisas que eu não posso viver porque não me deixam! Graças a Deus, eu posso dizer que sei aproveitar momentos, épocas, fases, até as ruins. O problema é quando se é impedido de aproveitar! Aí vem a saudade do que nem se chegou a fazer, do que poderia existir. E é sem dúvida o pior tipo de saudade que alguém pode ter.