terça-feira, 16 de setembro de 2008

O dia em que também fui outro

Hoje acordei e não reconheci as ruas, as pessoas, os rostos, tudo estava mudado. Senti que não estava em niterói, não sei onde estava, não sei se poderia estar. O tempo era estranho, era ruim, chuvoso. Meu corpo estava enjoado, minha mente confusa, a mil e cansada. Nenhum lugar parecido, nenhuma pessoa era a mesma. Nenhum resquício ou rastro do que eu deixei quando sai. Parece que fiquei por anos fora. O caminho estava mais verde musgo. O silêncio se quebrava pelas lágrimas, não sei se de saudade, não sei se de medo, não sei se de dor, desesperança. O que terá acontecido? Quem estava me apoiando me deu as costas, quem estava distante veio para perto. Senti vontade de me jogar no estranho a permanecer no pequeno conhecido que ainda se disfarçava. Na verdade me roubaram as lembranças, me arrancaram o hábito de roçar a mão entre os cabelos ondulados. Mudei de apartamento de fim de semana, vou voltar a fikar fora enquanto estiver aqui. Fora de onde? Falo como se estivesse em casa, como se isso fosse possível. Já adandonei esse sonho, só quero poder dormir minhas oito horas por noite e poder ir malhar. Onde é que me situo? Os banhos tem sido num chuveiro da academia que era o de sempre, mas agora esta mais vazio, venta mais pela fresta da porta do box, a aguá cai mais curva. Meus sapatos estão guardados. Veio a mágoa, veio risos, o bom humor apesar de tanto tudo, veio consolo, veio insatisfação, sentimento de injustiça. O mundo haverá mudado ou fui eu quem foi atingida por um cometa? Quem me ocupa agora? Quem pensa por mim? Tive que abandonar os meus pertences mais íntimos, mais imprescindíveis, os pensamentos mais fiéis e os comportamentos mais próprios. Talvez deveria ter medo que ninguém mais me reconheça na rua, mas não mudei, fui mudada, é fui outro, me deram outro, me foram outro. E ah, vou me mudar de novo, aqui há varanda, mas não posso sair.

6 comentários:

Antonin disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
toujour ivre disse...

antes desejava muito a mudança. mudança de pessoas, mudança de pensamento, mudança de sentimentos. agora já coloco em dúvida tudo isso...já me sinto sem chão...sem perpectivas (!). sou um homem caindo.

Lívia Ferreira disse...

estar caindo, estar em movimento, uma mudança eterna? E haveria como parar?

Charles Bêbado disse...

uma mudança sem controle. agoniante. desesperadora. sem controle. mas ao mesmo tempo covarde. porque me basta estender a mão para alguém me segurar. mas tenho medo...incrível, não?

Lívia Ferreira disse...

Mas então gosta e odeia a mudança? Reclama dela, mas dela n quer sair? ou talvez não confie na mão que se estende para você?

Charles Bêbado disse...

acho que o que é dominante é o medo. mas um medo imóvel. um medo que prende.