sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Eu sei bem mais do que antes

Hoje mais do que nunca tudo faz sentido, todas as letras de músicas que mexiam comigo, as que eu sempre achei maravilhosas, mas sem um motivo concreto. Os poemas mais afins, hoje eu entendo. Todos premonições do que um dia estaria por vir. Todos se encaixam assustadoramente, as frases são diretas. Elas falam de nós. E não venha me dizer que o amor é universal e que as dores de cutovelos são todas iguais. Não mesmo. Por isso a beleza desses versos. Sua capacidade de se transformar aos olhos de cada um.

Enfim só

Não sei o que Deus quer de mim. E esta é uma pergunta que tem me ido e vindo várias vezes há um tempo. Talvez desde que fui embora, talvez desde antes. Não sei onde ele quer que eu chegue, aonde quer me levar, o que quer que eu aprenda com todos esses "contratempos". Chego a ter medo do que posso me tornar. Medo que ainda está por vir, medo do título que Ele quer que me seja de direito. Há de haver muita luta ainda e os méritos só são colhidos depois de muito penar. Sim, obviamente vale a pena, mas não deixo de temer os males que me esperam. Ao menos não me falta certeza no caminho de flores. Se consegui melhorar tanto em tão pouco tempo, imagino a coleção que poderei ter no fim. Isso me tranquiliza. Nunca sofri de falta de fé, apenas, mortal que sou, deixei que ela se enfraquecesse em certos momentos.
As pistas sempre parecem indicar, de um jeito ou de outro, que o que eu tenho que aprender é ser sozinha, que no fundo é isso que sou, o que somos: sós. Tudo acaba sempre apontando para "um cada um por sí". Tenho perdido muitas coisas, tenho sido "privada" de muitas outras. Aprendido na marra, não pela cabeça dura que é um item da coleção de coisas que perrdi a tempos; mas pelas circunstâncias mesmo. Não tenho mais um ponto se quer de apoio. Tudo esvaiu-se. Não tenho uma só pessoa que possa me situar, que possa me tranquilizar com sua simples e completa existência.
Se lá não estou bem, sempre soube que seria ilusão achar que aqui estaria. Uma vez fora, impossível voltar ao que um dia se teve. A regra é andar para frente. A solução está sempre adiante e não no que não pode ser ou foi.
De qualquer forma, sinto minha alma mais perto, me sinto mais em mim. Talvez seja isso. Por mim mesma não iria trocar os outros pela minha presença. Agora que já não estão, escuto minha própria respiração no silêncio quase enlouquecedor da ausência de uma alma afim. Da alma que eu sempre senti saudade, desde que nasci, desde que adentrei nesse mundo e nesse corpo. Verdade, a saudade tinha passado, se ausentou por um período da minha vida, ou talvez só tivesse me observando de longe (ou não tão de longe). Posso dizer que talvez estivesse sentindo saudade da saudade, que ela é parte de mim, nasceu e deverá por direito, morrer comigo. Ser minha até o fim. Minha e de ninguém mais. Hoje, colei comigo mesma. Sinto o retorno de meu velho gosto de menina, a volta da criatividade pulsante e consigo sentir o calor da arte fervilhando em mim. Quero gritar. Gritaria. Gritaria se não fosse pelo coração apertado, se não fosse a saudade, a ausência sem começo nem pretensão de fim. Como se fosse possível a coexistência de dois corações: um cristalizado pelo frio do vazio impreenchível e outro aquecido e cheio de sonhos, a salvo da interferência que a presença de outros insistem em se fazer insistir. Um coração meu e um da multidão. De qualquer forma sinto-me de volta e cada vez mais perto. Ainda bem, por um instante fui tão feliz que achei que teria me perdido para sempre. Enfim, é como se ouvisse minha própria voz dizendo: "Tudo bem, eles já foram. Pode dormir em paz agora. Pode voltar a sonhar com o impreenchível preenchido e voltar sofrer sua felicidade sozinha. Ninguém há de ouvir seus soluços nem seus risos, além de você. Ninguém há de perturbar sua radiante tristeza."

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

É preciso um bocado de tristeza...

E hoje bebo da melancolia a pequenos goles para não engasgar no soluço da solidão. A tristeza é como o vinho, em pequenas doses faz bem ao coração.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Aos nossos olhos

Esses dias me olhei no espelho e em lugar dos meus olhos, vi os de Clara. Aqueles mesmos olhos grandes expressivos e pesados, escurecidos pelas olheiras e pelos cabelos castanhos. Olhos que eu sempre achei que falavam por si só. Olhos que um dia foram cor de céu, exatos olhos de Capitu. Hoje são olivas. Talvez tenha sido um delírio de cansaço do fim de período. Sei que no espelho do banheiro, foram os olhos dela que reconheci no meu rosto pálido. Nós, tão diferentes na nossa semelhança. Herdeiras do mesmo útero invertido, filhas da mesma avó, incumbidas de sermos sem pai. De início estranhei aquela similaridade, mas logo cedi a inevitável semelhança externa que temos. Normal, somos irmãs, mais que isso. Clara vê minhas fotos de criança e acha que é ela. O estranho é que apenas por aqui bastam nossas semelhanças. E isso as vezes me faz esquecer que impróprio seria se não a reconhecesse em mim. Na idade dela eu esbravejava para que me deixassem fazer as coisas sozinha e emburrava ao constatar minhas incapacidades de um corpo ainda infantil. Eu queria era fazer, como se sempre soubesse tudo que sei hoje em termos de habilidades, mas, sendo criança, a idade "cognitiva" não me permitia. Me via assim, presa na minha infância. Já Clara, esbraveja logo um pedido de ajuda e um clássico "eu não consigo" diante das mais poucas coisas. À nossa criação desatenta, respondia com rancor e muitas "patatas" nos "culpados". Ela responde com uma inocência cúmplice aos "culpados", o que também a exclui do mundo real com eles; ou então responde com uma tristeza digna de pena. Os tempos dela são outros, mas vejo as mesmas histórias se repetirem e a vejo passar por muito do que eu passei. A vendo muitas vezes me vejo e tudo me faz entender antigas lacunas; descontinuidades que hoje, pude alinhar. Certamente, os tempos dela são mais difíceis. As coisas complicaram muito mais em 15 anos. Não sei se poderia eleger uma de nós como sendo a mais preparada para essa família. Sei apenas que estarei aqui e poderei explicar a ela as várias confusões que tinha na cabeça e a ela também serão inevitáves. São consequências do nosso "fantástico mundo de Bob". Os tempos são outros, as pessoas nem tanto.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Enquanto houver luz

Mas uma coisa é certa: os que passaram por mim ficaram (e até mesmo estão) muito mais do que os que por ti andaram. Porque minha sensibilidade é porta aberta para quem quizer alguma compania para uma conversa, para uma música, para um beijo, ou apenas para umas boas risadas a dois, a muitos. E que permaneçam em mim, todos, até o fim de minha vida. Pois meus olhos agora são luz, meu colo agora conforta, meu peito explode de tanto pulsar, do meu corpo irradia vontade e um querer acima de qualquer suspeita. Meu amor extravasa, meu amor por pessoas, meu amor por gente, minha sede de histórias, minha sede por noites intermináveis. Queria que as noites fossem eternas, que o fulgor nunca me adandonasse. Que a vida não passasse de um sonho intenso, cheio de alucinações cotidianas.
Você insiste em se trancar, insiste em se esconder, em caminhar com as maõs soltas, vazias. Insite em desatar laços, em não fazer de nada permanente. Em matar todas as ilusões do pensamento infinito. Nunca os quer sentir de perto, nunca os quer penetrar a alma. Não os quer além do simples encontro. No entanto eu fui mais longe. Consegui escorregar entre as frestras e pude ver o mais lindo amor resistindo por debaixo de tantos esconderijos. Pena que ele não consiga sair de lá.
Você disfarça, desconversa. Eu escancaro. Quem vê me culpa, eu que sinto sei das coisas. Descubro por debaixo dos panos uma fidelidade de sentimento e dezenas de traições de carne. Não escondo meus amores, não cubro meus pecados. Você desconversa. Faz tudo nas entre linhas. Eu leio até as notas de rodapé. Sei muito mais que imaginas, sei muito menos do que imagino, sei que há muito para ainda me surpreender. Que importa? No fim, só eu sei o caminho obscuro que leva para dentro daquilo que te acende, que te disperta, nem que seja por um tempo tão corrido.

Chico Buarque tem cheiro de infância

Só eu sei dos dias em que minha mãe ainda usava pregadeiras no cabelo formando um rabo de burro curto com os cabelos pretos. A época em que as janelas estavam abertas para o sol, época da cadeira de balanço na varanda, época em que meu avô era vivo e passava os dias e as tardes no quintal com os passarinhos, e as noites lendo. Minha vó era tão ativa e não aparentava de nenhum jeito a idade que tinha. Saudades do tempo em que ainda se ouvia música naquela casa, saudades do vinil, dos LPs... saudade da época em que eu era mais mal humorada e ranzinza e magrela. Saudade da minha franjinha. Saudades do Chico...

Experiência e pobreza

"Ao cansaço, segue-se o sonho, e não é raro que o sonho compense a tristeza e o desânimo do dia, realizando a existência inteiramente simples e absolutamente grandiosa que não pode ser realizada durante o dia por falta de forças. A existência do camundongo Mickey é um desses sonhos do homem contemporâneo... e aos olhos das pessoas, fatigadas com as complicações infinitas da vida diária e que vêem o objetivo da vida apenas como o mais remoto ponto de fuga numa interminável perspectiva de meios, surge uma existência que se basta a si mesma, em cada episódio, do modo mais simples e mais cômodo..."



Walter Benjamin - Magia e técnica, arte e política - ensaios sobre literatura e história da cultura

Experiência

"A experiência é carente de sentido e espírito apenas para aquele já desprovido de espírito. Talvez a experiência possa ser dolorosa para a pessoa que aspira por ela, mas dificilmente a levará ao desespero."


Walter Benjamin - Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação

terça-feira, 18 de novembro de 2008

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

É como diz o ditado...

...quem vive de eternamente ontem, é filisteu!!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

"Alguém pode estar muito mais presente em sua ausência do que em sua presença."

Aulas de Vidal (nem tudo está perdido!) - teorias psicanalíticas

terça-feira, 4 de novembro de 2008

E o que vai ficar na fotografia...

Cara, que merda são as fotos! Você começa a ver uma, aí vê outra, ai vai puxando outra, e vai desenterrando fotos e acaba sempre morrendo de saudade até mesmo da blusa que você estava naquele dia, ou do enfeite que ficava na copa da sua casa e que você não faz menor idéia do fim que teve. Eu sempre choro, é uma droga... tanta coisa que a gente deixa para trás, tanta coisa que nunca mais será vivida novamente, tantas pessoas, e pior, tantas coisas que eu não posso viver porque não me deixam! Graças a Deus, eu posso dizer que sei aproveitar momentos, épocas, fases, até as ruins. O problema é quando se é impedido de aproveitar! Aí vem a saudade do que nem se chegou a fazer, do que poderia existir. E é sem dúvida o pior tipo de saudade que alguém pode ter.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

De "se" já basta o Djavan

Acho que não sei mais "ficar" (ô termo!), só namorar! Calma pretendentes! Abandonemos nomes e classificações ok? Com "namoro", não quero fazer menção a estrutura correspondente de "namorado" que se criou. Não digo do compromisso sério, da aliança, do amor eterno e etc, etc. Refiro-me apenas a um laço mais duradouro, mais profundo, mais envolvente, a uma relação com proximidade, ao fato de conhecer pessoas, de se envolve, de estar aberto, de ter e desenvolver sentimentos. Falando "namoro" só pretendo excluir o caráter volátil, vago, frouxo de uma relação com alguém. É estranho "ficar ficando" com alguém que não se pense num depois. É insensível, é sem paixão, casual. Não dá, ou bem me sou, ou bem me travo. Quando estou junto, tenho vontade de abraçar, de beijar, de fazer carinho, de tratar com carinho. Ou é isso, ou não é sabe. Não há como ter meios sentimentos, meia vontade, meio querer, meia paixão. Ou tem ou não tem, ou fica junto ou fica separado! A não ser que seja um beijo e pronto, sem mais delongas. Não estou me refirindo a pegação, mas a pessoas mais ou menos fixas que aparecem pela nossa vida. Acho que há muito amor em mim para ficar preso, deve ser isso. Amo muito pessoas, tenho sede de gente, de conhecer, de ouvir histórias, de saber delas. Talvez esse amor por gente que tenha me levado a psicologia. Não gosto de meio termos, cada vez gosto menos. O bom é deixar arder. Se não foi, não havia de ser e simbora curtit uma dor de cotuvelo, admirar músicas melosas e chorar sozinho agarrado no travesseiro. Para mim, vale mais! É muito melhor se jogar, viver, arriscar, do que se esconder atrás de medos, de incertezas. A certeza vem com o tempo, ou não. Para que certezas, para que se preoculpar em ter certeza? Que é certo na vida? Quase nada. Se é para beijar, beija caramba, vai ficar fazendo doce? Se quer ir mais além, se tem pele, se tem desejo (se tem meeesmo!), porque não? Que falta? Sejamos menos convencionais! Pulemos etapas, sigamos mais nós mesmos! Não sugiro aqui uma bacanal, mas sugiro que deixem rolar. Descompliquem! Se bateu, se você sentiu (mas se sentiu meeesmo!), se pode confiar, não fuja, se deixe levar! É muito melhor chorar, sorrir, brigar, estar junto, ter ciúmes, fazer amor, sexo ou sei lá qual nome queiram dar, do que ficar cheio de dedos com pessoas, com situações. Mete a mão porra! Vai viver de "se"? Já basta o Djavan. Pelo menos ele ganha dinheiro com isso...

domingo, 26 de outubro de 2008

Sonhando com a casa própria

Tudo que eu mais quero é um canto. Ô gente vocês nem sabem o quanto! Qualquer lugarzinho para eu ficar. Só para eu fazer minha bagunça (se é que eu ainda sei fazer bagunça depois desse quartel!). Imaginem eu chegando no meu cantinho assim, de preferência bem pequenininho, aconchegante, fofinho. Eu iria chegar todos os dias da faculdade, jogar a mochila para o lado, arrancar a roupa, ligar a televisão e dizer "oi Miguel"! É, Miguel é um plano que eu tenho desde que vim pra cá: um gato gordo e malhado que me ajudaria a fazer bagunça no nosso cafofo! Vi hoje um gato perfeito, todo Miguel, lá na reitoria da UFF. Fiquei babando! Também teria muita bebida no meu cantito, vinho, vodka, malibu... fora os petiscos e um kit caipirinha e o baralho. Fora as frutas! Fora o som, eu poderia ouvir música gente! Ai meu Deus! E poderia deixar meu tênis no chão! AH e sempre teria alguéns por lá (se colbesse alguéns, senão, alguém tava de bom tamanho!). Um lugar que eu pudesse levar gente e pudesse chegar a hora q eu quisesse e deixar meu mate na geladeira o tempo q fosse! Poderia até abrir mão de Miguel e das biritas e ter apenas um quarto so para mim! Já tava de bom tamanho! Um quarto! Céus, só um quarto! Um pouco de privacidade e liberdade, só isso, só isso. Um pouco mais de um ano sonhando esse mesmo sonho, cada segundo sonhando com isso. Niterói é um lugar muito injusto com nós estudantes. A vida é muito cara, muito cara.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.

Arnaldo Jabor

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

"Tem que ser muito macho para um homem ir numa festa de saia!"

Aulas de marcelo - Psicologia e Processos de formação I

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Quando um certo alguém...

E agora todos os dias eu chego em casa com seu cheiro. É seu cheiro que fica pelas minhas roupas e por mim! gosto dele...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Minhas pintas gostam de se agrupar de três em três!

domingo, 5 de outubro de 2008

Porque a dor de cotuvelo serve para ser curtida, e o amor é brega

Porque você é o silêncio que me escuta nesse falatório.
Porque a gente vê a vida pela mesma fresta.
Porque nossa vontade de conhecer nunca cessa.
Porque de todas as bagunças que eu faço, a que mais me agrada é a nos seus cabelos.
Porque quando você vai leva parte de mim, e quando eu vou deixo um pedaço.
Porque se com você já não sou, sem você nunca fui.
Porque nada me inspira mais do que sua ausência.
Porque a gente sempre se conheceu desde o momento em que nossas vidas se cruzaram.
Porque nunca conheci amor mais verdadeiro ... que o meu por ti.

sábado, 4 de outubro de 2008

...e haverá mulher capaz de saciar um homem ao ponto de não fazê-lo pensar ou querer mais nenhuma? E haverá homem capaz de satisfazer em plenitude uma mulher?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Da licença, mas vou falar de mim um cado

Coisas importantes que reparei em mim:
Estou transparente;
Minhas sombrancelhas ficam melhor mais grossas porque assim disfarçam minha enorme buchecha, minha buchecha é imensa;
Estou bem assim mais magra, mas n sei quanto tempo isso vai durar;
Não sou mesmo melhor do que ninguém, mais que isso, sou comum, sou mais uma, não tenho nada de mais, não, não me destaco;
Pedi a Deus um curso intensivo para evoluir mais rápido;
Também não sou muito inteligente, pelo menos nem tanto como eu e muitos imaginávamos;
Apesar de toda coleção de frustações que tenho passado, estou feliz (incrível rapaz!), talvez por pensar sempre que já passei por algo pior, e que na hora ou depois que passa , cada um desses pesares são na verdade mixuquinhas, que alías me fazem cerscer mais e mais;
Ainda quero conhecer muito mais;
Acho realmente que agora consigo morar com quem for e aonde for;
Quem me conhecia, não pode me reconhecer mais e quem me conhece jamais conseguiria imaginar a Lívia de tempos atrás;
Meu cabelo ama Niterói tanto quanto minhas vistas;
Preciso levantar para fazer xixi de madrugada e parar de prender a vontade e voltar a durmir;
Minhas unhas não são mais as mesmas, mas isso também é michuruquinha.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

"... uma idéia precisa suportar o peso da experiência concreta, senão se torna mera abstração."

Richard Sennett

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Flôr de Lis

Valei-me, Deus!
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei,
Que amei, que amei, que amei

Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis

E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira,
Poeira
Morto na beleza fria de Maria

E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu.

E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O dia em que também fui outro

Hoje acordei e não reconheci as ruas, as pessoas, os rostos, tudo estava mudado. Senti que não estava em niterói, não sei onde estava, não sei se poderia estar. O tempo era estranho, era ruim, chuvoso. Meu corpo estava enjoado, minha mente confusa, a mil e cansada. Nenhum lugar parecido, nenhuma pessoa era a mesma. Nenhum resquício ou rastro do que eu deixei quando sai. Parece que fiquei por anos fora. O caminho estava mais verde musgo. O silêncio se quebrava pelas lágrimas, não sei se de saudade, não sei se de medo, não sei se de dor, desesperança. O que terá acontecido? Quem estava me apoiando me deu as costas, quem estava distante veio para perto. Senti vontade de me jogar no estranho a permanecer no pequeno conhecido que ainda se disfarçava. Na verdade me roubaram as lembranças, me arrancaram o hábito de roçar a mão entre os cabelos ondulados. Mudei de apartamento de fim de semana, vou voltar a fikar fora enquanto estiver aqui. Fora de onde? Falo como se estivesse em casa, como se isso fosse possível. Já adandonei esse sonho, só quero poder dormir minhas oito horas por noite e poder ir malhar. Onde é que me situo? Os banhos tem sido num chuveiro da academia que era o de sempre, mas agora esta mais vazio, venta mais pela fresta da porta do box, a aguá cai mais curva. Meus sapatos estão guardados. Veio a mágoa, veio risos, o bom humor apesar de tanto tudo, veio consolo, veio insatisfação, sentimento de injustiça. O mundo haverá mudado ou fui eu quem foi atingida por um cometa? Quem me ocupa agora? Quem pensa por mim? Tive que abandonar os meus pertences mais íntimos, mais imprescindíveis, os pensamentos mais fiéis e os comportamentos mais próprios. Talvez deveria ter medo que ninguém mais me reconheça na rua, mas não mudei, fui mudada, é fui outro, me deram outro, me foram outro. E ah, vou me mudar de novo, aqui há varanda, mas não posso sair.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Porque gostamos das coisas como elas são

Nos amamos. Nos amamos porque somos por assim dizer, farinha do mesmo saco. Somos tortos, somos sujos. Somos da vida e nos esquecemos ou só disfarçamos. Gostamos é das coisas desarrumadas, jogadas, da bagunça de um quarto com roupas espalhadas pelo chão, pelas coisas, pelos milhões de cabides que tudo vira para comprotar nossos papeis, nossa desordem.
Gostamos de pijama. Gostamos de pijama de manha, a tarde e a noite, é nós gostamos mesmo de pijama. Gostamos é de beijo, beijo molhado, mordido, com pressa.
Gostamos de toque, do toque apertado, das mãos entrelaçadas, do suor, do arranhão. Dos cabelos meus que ficam pelo chão, dos que caem, dos que você arranca. Gostamos de pescoço, de costas, de pele, do cheiro da pele. Da pele imunda, da pele imunda. Que graça tem a pele limpa, a pele não vivida, não experimentada? Bom é a pele que fala, grita e sussura, escorre, a pele que aquece. Gostamos da flôr da pele.
Acho também os narizes importantes. Somos assim, frutos do mesmo pé, nos damos fácil, nos damos simples, nos damos a quem quizer. Gostamos de nos dar.
Falamos pouco, talvez não mais que sons de um bebê. Falar se tornou dispensável, como se tivéssemos nascidos mudos e os outros sentidos tivessem que ter se apurado ao máximo para dar conta desse desfalque que a falta da fala teria ocasionado. Sentimos mutio, sentimos tanto. Sentimos falta, sentimos paz.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Reflexão de pôr-se-sol

... pior é ser cego e voltar a enchergar.

domingo, 7 de setembro de 2008

Não haveria problema em estar sozinho, se isso fosse possível. O perigo está nas pessoas e não nos lugares. Por sorte ou azar, sempre estamos em presença de nós mesmos. Se meus pensamentos calassem por uma só vez, por um só instante e eu pudesse esvaziar-me de tudo... como eu queria esvaziar-me de toda essa turbulência que me invade, me perturba. Há muito ela não cessa, ao contrário, alcança picos de uma quase loucura.
"Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos. Mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, pressão de família? O legal é alguém que está com você e por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer. A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar."

Thayla Adir

sábado, 6 de setembro de 2008

Meus sonhos têm me impedido de dormir

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

"(...) aumentam a preoculpação e o investimento com as questões relativas ao 'interior' (...) as categorias políticas são transformadas em categorias psicológicas, o importante não é o que se faz, mas o que se sente, ou seja, há um esvaziamento político, há uma psicologização do cotidiano e da vida social."

Coimbra, C.M.B.

sábado, 30 de agosto de 2008

Do meu amor por pessoas "estranhas"

Muitas coisas me entristecem na vida, mas uma em particular me magoa mutio, talvez por ser tao próxima e corrente. Todo mundo rotula todo mundo, eu sei, não tem jeito, e eu não estou livre disso nem de fazer isso. A questão é que pelo menos sei que consigo não tomar isso sempre como base, como principio, como fator predominante a primeira vista. Eu ainda sou uma das poucas que acaba descobrindo um outro lado além das aparencias. Talvez nem tanto por talento meu ou bondade e menos ainda por ser desprovida de preconceitos! Quem dera! Mas o acaso costuma me jogar em situações em que me é permitido saber um pouco mais do que é exposto. E na verdade as vezes isso me incomoda, incomoda justamente por também fazer rótulos e temer que direcionem a mim os mesmos padrões atribuídos as pessoas socialmente excluídas e mal interpretadas com que acabo andando. Pura mesquinharia. E chego mesmo a ter raiva algumas vezes dessas injustiças. Vejo outros falarem mal de pessoas tão especiais que pude, só de conhecer parcialmente, perceber fortes qualidades. E isso me deixa realmente muito triste, talvez tenha muita empatia (risos), mas sinto como se a ofença fosse diretiva a mim. Sou tomada por um sentimento forte de contestação, de pena, de tristeza, rancor. Meche muito comigo, e me faz amar mais ainda essas pessoas e me sinto feliz por ter me aberto, de uma forma ou de outra, para elas, para conhecê-las e entendê-las com suas sequelagens. Sim, eu amo pessoas estranhas, amo pessoas sequelas! Sempre fui empatizante dos excluídos por suas esquisitices. Pessoas... no geral, acho que amo pessoas, acho que posso amar qualquer pessoa, e também só acho, prefiro só achar. Não me atrevo a ter certeza de algo tão comprometedor. Bem a questão é que no geral, também sou bastante mal julgada, só não sou mais pela cara que tenho, que torna bem aceita. A beleza exterior abre caminhos, feliz ou infelizmente. A questão é que vejo muitas dessas pessoa que tanto me julgam, dizerem que são exatamente o oposto. Talvez seja mais fácil amar os deixados de lado, e por isso eu os ame, não por pena deles, mas pela pena que eles no fundo se atribuem e assim se permitem deixar conhecer, permitem uma aproximação mais fácil, mais verdadeira, mais carente. Não há o nariz em pé dos bem aceitos, ha mais humildade.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Todo azul do mar

Foi assim, como ver o mar
A primeira vez que os meus olhos se viram no seu olhar
Não tive a intenção de me apaixonar
Mera distração e já era momento de se gostar

Quando eu dei por mim nem tentei fugir
Do visgo que me prendeu dentro do seu olhar
Quando eu mergulhei no azul do mar
Sabia que era amor e vinha pra ficar

Daria pra pintar
Todo azul do céu
Dava pra encher o universo
Da vida que eu quis pra mim

Tudo que eu fiz
Foi me confessar
Escravo do seu amor
Livre pra amar

Quando eu mergulhei
Fundo nesse olhar
Fui dono do mar azul
De todo azul do mar

Foi assim como ver o mar
Foi a primeira vez que eu vi o mar
Onda azul, todo azul do mar
Daria pra beber todo azul do mar
Foi quando mergulhei no azul do mar
Onda que vem azul, todo azul do mar...

Flávio Venturini

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Clichê

Uns morrem de obesidade, outros de fome.

sábado, 16 de agosto de 2008

Carta para ninguém

Se esqueci meu cheiro por ai, desculpa foi sem querer. Juro que peguei o máximo que podia do que era meu, se alguma coisa ficou foi desatenção ou proque não tinha mais importância. O importante para mim é que finalmente eu vim, sai, eu voltei. Finalmente eu consegui, depois de tantas tentativas, o medo simplesmente deixou de existir, meu amor cansou e resolveu não ligar mais. De tão longe que estávamos, não me faz mais diferença, você se tornou dispensável, um simples ascessório, que eu descartei. Como algo que passou da validade e se torna inútil, mais que isso, prejudicial. Foi-se o fulgor da nossa pele, o desejo da minha pela sua. Foi-se a sensação de segurança que sua presença causou, a saudade do nosso conforto, da nossa cumplicidade que nunca existiu. Acabou o sonho e a vontade, o querer. A vontade de te querer fazer brilhar os olhos acabou por fazendo apagar o brilho dos meus. Tive sede de você e você não se deu para me saciar. Hoje sou eu quem vai, sem maiores apertos no coração ou choro contido, vou livre, de cabeça erguida, vou em paz. De tanto que você não me ouviu, hoje você que não tem os meus ouvidos, de tanto que não me deu atenção, hoje, você que não merece a minha. De tanto esforço que fez para ser inexpressivo, invisível, assim se tornou. De todo o esforço que você fez em não se esforçar, eu pude tirar forças e ir, ir devagar, sorrateira, com cuidado de ir pelo caminho certo e não pisar em espinhos, porque vim com os pés no chão, descalça, entregue. E assim como entrei, saio da sua vida, como um tremendo acaso, com muita luta e desejo. Foi tanto esforço para te ter quanto parab me livrar de você. O esforço para te trazer para dentro foi meu, o de te tirar de mim, foi seu. E te senti sair lentamente. De tanta preocupação que você não teve e tantos e tantos outros desleixos, eu me acostumei a não tê-los, não ter nada disso, me acostumei com a solidão (até mesmo a dois), me contentei com minha simples compania. E hoje te direi "até breve", te vejo em sonhos ou pesadelos, anda duradouro, nada além de uma breve ilusão. Te deixo agora, no momento em penso que mais precisas e depende de mim (coisa que talvez não percebas, ou não seja realmente), sem remorços de quem nunca te teve presente. Perdeste tua melhor qualidade: meu amor. De tanto que a porta ficou aberta, eu sai, e olhei para trás, para ter certeza de que você não viria até a porta, nem me procuraria, nem pediria para que eu ficasse. Você sempre será o mesmo, o mesmo passivo e infinito homem que nada quiz ser (e tudo poderia ser) e ninguém conseguiu tomar para si.

10/08/08

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

14/08/08

É incrível a sua capacidade de destruir as coisas, arruinar expectativas, anseios, desejos. Como uma pessoa tão linda pode querer se ofuscar tanto? Pode ser tão mascarada, tão burocrática, tão travada e cheia de dedos, de requintes e sofisticações supérfluas, rodeios? Ora somos o que afinal, estranhos? É o que você sugere... se afasta, se protege da intensidade, há um eterno medo em seu querer. Enfim, não sei quem és. Conheço, e isso sim muito bem, seu duplo. Boa noite... boas compras...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Me apaixonei novamente! Viva a psicologia social!

sábado, 9 de agosto de 2008

Minha saldosa maloca

Quando eu era criança ficava inventando mil maluquices para fugir de casa. Hoje eu fico criando mil desculpas para voltar para lá.

domingo, 3 de agosto de 2008

Incompletude

Talvez meu maior medo seja conseguir o que quero... instantâneamente terei que parar de desejar o que consegui. E não conheço coisa melhor, melhor sensação do que a de estar paquerando, fazendo charme, enrolando, seduzindo. Derrepente, você consegue, conquista a coisa que namorava distante com os olhos famintos, insaciáveis; agora já são mornos e tenros. Nada contra, mas calor é melhor, paixão é melhor, desejo é melhor... melhor que satisfação. Desejo move a vida, satisfação estagna. A corrida pelo que se quer tem mais tempero do que a chegada. É por isso, creio eu, que muitos ficam dando voltas para não chegar nunca. É tão gostoso estar num projeto, no meio do caminho. Ali podemos esperar tudo, sonhar com tudo, idealizar de toda e qualquer forma o que está por vir, ainda é possível fazer isso. E, quanto mais nos aproximamos da conquista, mas moldada ela está e menos possibilidades nos são reais, já está tudo direcionado, culminando num ponto certeiro, sem mais chances.
Sem falar no terror que é conseguir o que queremos, na perda de referência, na desorientação que gera. Não sabemos mais o que queremos, o que mais tem por ai agora que nos faça correr atrás. É preciso sempre ficar no desejo, sempre ter algo incompleto, em vias de desenvolvimento. Conseguir é algo muito intrigante. Que fazer agora com isso? O lado azedo do sabor da vitória pode acabar estragando todo o seu gosto, e talvez o que parecia tão brilhante de longe, na realidade, descobriu-se ser fosco ao se aproximar. E todo o brilho se perde.
Como canta Leoni:
"Só enxergo o que não posso ter, mas se qualquer dia eu conseguir, vai perder a cor, desaparecer, como tudo que me fez feliz..."

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

"Ele não tinha cor, raça, nem religião"

Frase de um muro no centro de Niterói, ao lado de um desenho de Jesus... enfim...so um comentário de alguém que está de volta na terra de alguns.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A gente devia poder processar a Disney por esperar pelo príncipe encantado

sexta-feira, 27 de junho de 2008

De família

Minha vó já me disse que um homem que realmente tem interesse, sentimentos por uma mulher, um homem realmente apaixonado por uma mulher, agrada a família dela. Hoje, depois das aulasde psicanálise, eu afirmaria diferente. Na verdade, um homem esperto é que procura agradar a família dela.

"Se o cheiro é bom, o gosto também deve ser"

Prof. Rafael

terça-feira, 20 de maio de 2008

Caso de identidade

Esses dias aconteceu algo que me deixou preocupadíssima! Sim, e com certeza já aconteceu a todos, e foi considerado um fato corriqueiro por esses outros, aposto. Um fato comum e somente meio incomodo, mas não grave. Mal sabem vocês! O que me aconteceu? O mais terrível, o que mais assombraria qualquer sujeito! Cortei meu dedo. E não foi do lado, na parte da frente da mão, não. Foi na digital, um pequeno, raso e deformador corte na minha expressão mais única e verdadeira! Nada diz de mim como ela, nem meus olhos, nem meu cabelo, formato do rosto, tamanho dos pés, nem qualquer parte do meu corpo nem a extensão dele: roupas, brincos, tatuagem, esmalte, celular, mochila; e nem o que faço desse meu corpo: alimentação, horas dormidas, horas de academia, horas de estudo. O que digo, o que penso, o que uso, o que gosto, nada disso é só meu. Sempre haverá uma comunhão de qualquer que me faça parte, exceto claro, minha digital. Ninguém possui esse mesmo desenho, essa marca é minha exclusiva, peça única, arte romântica. Agora percebem meu desespero, lesei a única parte que realmente sou.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Para a pessoa mais infinita

O dificil é ter que deixar você ir embora, pior ainda é quando eu é que tenho que ir. Nao sei se é pior qndo ficamos longe ou quando estamos muito juntos. Nas duas maneira, ficamos acostumados com a situaçao e ai é esquisito quando encontra ou dolorido quando separa. É estranha a sensaçao que tenho, nao tenho pretensao de estar ainda fazendo sexo com você daqui a 1 ano, e nao consigo pensar no nosso namoro com fins matrimoniais, mas talvez seja só porque nao nos atentamos pra isso e nao planejamos onde vamos morar e que nome terao nossos filhos. Paralelamente, nao consigo pensar na minha vida com você de fora, como alguém que eu só encontre por meio do acaso, pela rua, numa festa. O estranho é conseguir abrigar o desejo e o amor, o puro e o sujo, nossos segredos e nossas declaraçoes, nossa traiçao e nossa fidelidade. Mesmo achando que caminhamos para o nada, é como se o nada fosse confortante, como se houvesse o simples prazer de caminhar e nao a ansiedade pela chegada. Te amo

domingo, 13 de abril de 2008

Tento achar que não é assim tão mal... exercita a paciência.

Guarda os pulsos pro final (saída de emergência).

segunda-feira, 10 de março de 2008

Nietzsche, a genealogia e a história

" A verdade, espécie de erro que tem a seu favor o fato de não poder ser refutada, sem dúvida porque o longo cozimento da historia a tornou inalterlavel"

A microfísica do poder - Focault

terça-feira, 4 de março de 2008

"Por que estudar lógica?"

(...) O jornalista então exclamou que a postura que temos para com o diabo está errada. Nós não deveríamos chutá-lo, espoliá-lo das raras virtudes que possa ter, maldizer, maltratar, enxovalhar, expulsar de todos os recantos esta criatura. Isso apenas faz com que ele fique pior em seus motivos, rancores, humores já decaídos. Ora, pelas escrituras, deveríamos acolher, amar, perdoar, acalentar o demônio que, desta forma, seria cada vez menos o diabo que é. E tal ação nos tornaria melhor em nós mesmos porque ao invés de abrigarmos medos, ódios, mágoas, ivestiríamos os pensamentos em amor, perdão, amizade. Faria bem à alma e deixaria a pele robusta na primavera que se tornaria a vida. O próprio diabo se sentiria melhor conosco e se desanimaria de seus ânios anteriores. (...)"

Lúcio Packter, fragmento da revista "Filosofia" - editora escala

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Quem pode, pode

Vejam vocês, o filme do Sherek é tão bom, que nem precisa que os personagens tenham nome para fazer sucesso. Já pararam para pensar que o burro chama burro? E o gato de botas chama gato? Interessante não? Ah o filme é bom, ninguém nem nota esse (como posso designar?) "detalhe"...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Um passo à evolução

Chegará um dia em que não serão mais roubados celulares. Não por atingirmos socialmente uma consciência virtuosa e moral tamanha, mas simplesmente pela desvalorização do produto em questão. Na saga da concorrência, são tantos os artifícios que até aparelhos gratuitos estão sendo oferecidos, e olha que não são aqueles ultrapassados de visor sem cor e som monofônico; são os com câmera, que tocam mp3 e têm acesso a internet com alta velocidade. Assim é fácil até de se desapegar do seu e se confortar mais facilmente com a “perda indesejada”. Acredito até que o assaltante, daqui a um tempo irá perguntar: “o que você tem aí? Ih não, celular eu não quero não”, “ah tu tá de pilha com a minha cara tá? Como assim só tem celular! Ô ... pode passando o dinheiro que essa ... de celular você pode enfiar no ...” e será o dia em que os trocados escondidos no fundo da carteira valerão mais. As pessoas doarão seus aparelhos antigos aos necessitados pela facilidade de trocá-lo por um zero bala; e os contemplados, pelo menos, poderão receber chamadas, caso não tenham dinheiro para créditos.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Copiando da Helô...

"Os fatos são sonoros mas entre os fatos há um sussurro. É o sussurro que me impressiona."

("A hora da estrela", Clarice Lispector)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Mas é carnaval...

Não sei o que se andou ouvindo pelos carnavais do nosso país festeiro, mas creio que ao menos no estado do Rio de janeiro tenha se repetido um fato. Aqui na minha feliz e inocente Barra do Piraí, o carnaval não há, mas nos arredores há. E foi aqui do lado, em Piraí que constatei a febre. A música mais tocado do carnaval, pasmem, não era de carnaval, nem sobre carnaval, nem ao menos soava como uma micareta...Pois é minha gente, os tempos estão mudando e o funk está invadindo tudo que lugar e evento, pra não dizer pessoa. Vai me dizer que sua vó não canta "se ela dança eu danço"? A minha canta (ao modo dela, mas canta)! Sim!! Aposto que até no Natal, rolou um batidão na sua casa, ou talvez pela rua... A questão minha gente, é que o funk não respeita mais ninguém, o inescrupuloso frequenta todas as classes, é ouvido por todas as cores, acompanha o nascer ou pôr do sol de qualquer lugar dentro do país e se enfia em qualquer tipo de festa ou confraternização. Juntou gente mais nova com motivações festeiras lá está o tal. Logo, ao ivés de "olha a cabeleira do zezé", Ivete ou chiclete, o que mais ouvi nesse carnaval foi "Crééééééu".

Um verso de uma bela canção

"(...) A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas os astros, distraída,
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão (...)"

Chão de estrelas - Sílvio Caldas

domingo, 27 de janeiro de 2008

Nostalgia

sabe aqueles dias em que acima de tudo você se sente sozinho, filho único, longe de risos, longe do calor, da euforia, do fulgor...
Dias que pode virar semana, mês... tao doídos a princípio, que parece que por fim, seu corpo cria imunidade a esse vírus melindroso que te ataca a mente e endurece os sentidos, e entao, agora você surpreendentemente, já nada sente. Nada consegue sentir. Vibração já não é sentida há algum tempo, mas agora nem agústia é mais recebida em seu corpo, seu estado é vegetativo, incosciente, dopado, dormente. O pulsar de suas veias agora cessa. Nenhuma expressão pode ser vista ou sentida. Nem se pode dizer que há uma vida, há um corpo, quase um robô, que se alimenta de gestos mecânicos e repetitivos. Um aborto da natureza, nem homem, nem animal, nem qualquer outra coisa que não, coisa, uma coisa, um algo, um indefinível algo, que não cabe na classificação, nomenclatura ou designação de nenhum reino, espécie, nenhum tipo de verbo ou estado, nenhum tipo de criatura ou aberração, nem música, cifra, literatura ou momento...